Ser fã de cinema clássico implica admirar vários artistas que já não estão mais entre nós. É não ver notícias e entrevistas recentes ou não ter a chance de encontrá-los em uma visita a Hollywood. Talvez isso nos poupe do sofrimento de perder nossos ídolos. No entanto, muitos dos representantes dessa era ainda estão entre nós, e sua perda é inevitável.
Nesses quase dois anos de iniciação à cinefilia clássica, vi perdermos muitos grandes nomes. Mas talvez Jennifer Jones, Jean Simmons, Lena Horne, Dennis Hopper, Blake Edwards, Betty Garrett ou Jane Russel não tenham doído tanto. O triste acontecimento desta semana significou o fim da época em que o cinema era mais inteligente e as estrelas eram mais interessantes.
Curiosamente, vários de seus filmes apresentam mortes iminentes. A pequena órfã tem uma pneumonia fatal em “Jane Eyre” (idem, 1944). A Rebecca de “Ivanhoé” (idem, 1952), acusada de bruxaria, está prestes a ser condenada à fogueira. A apaixonada sulista sofre de uma loucura que põe em risco a vida de toda a sua família em “A Árvore da Vida” (Raintree County, 1957). O patriarca tem uma doença terminal em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat in a Hot Tin Roof, 1958). A única testemunha da morte do primo é atormentada pelas lembranças em “De Repente, no Último Verão” (Suddenly, Last Summer, 1959). Na vida real, ela foi uma batalhadora, uma sobrevivente, uma mulher maior que a vida.
Quando ela nasceu,em 1932, outras grandes lendas já estavam há tempos na ativa, como Mary Pickford, Lillian Gish, Greta Garbo e Katharine Hepburn. Mas Elizabeth Taylor não perdeu tempo: aos dez anos estrelava seu primeiro filme: “A Mocidade é Assim Mesmo” (National Velvet), ao lado de Mickey Rooney. Nos anos seguintes, foi dona de Lassie, jovem comportada do século XIX e uma garotinha encantadora. Aos 17 fez um ensaio nua. A garotinha estava crescendo.
E cresceu, transformando-se numa das mais belas mulheres do cinema. Ganhou dois Oscars, por “Butterfield 8”, em 1961, após três indicações infrutíferas consecutivas, e por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”em 1968.Casou-se oito vezes, teve sete maridos, enviuvou aos 27 anos, roubou o marido de Debbie Reynolds, encontrou o amor de sua vida em Richard Burton. E tudo isso fez dela uma lenda.
Não digo que o cinema ficou órfão, mas, sim, viúvo: quem nunca se enamorou com o rosto de Liz Taylor?

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